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freelasconecta 12 de Junho de 2022

Dia do Amor e as diferentes formas de amar

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O século XXI vem abrindo espaço para que possamos dialogar sobre as muitas formas de amar e a liberdade para experimentar o novo. Por isso, neste Dia dos Namorados, propomos a celebração do Dia do Amor, que abrange toda a sua pluralidade.

Isso porque, ao longo dos anos, as formas de se relacionar vem se transformando e, em cada período da história, o amor se apresenta de uma maneira, como explica Regina Navarro Lins, escritora do livro Novas Formas de Amar, em entrevista para a Revista Marie Claire. "Hoje somos regidos pelo mito do amor romântico, que entrou nas nossas vidas a partir de 1940 quando todos passaram a desejar se casar por amor. O século 20 deu mais importância ao amor em toda a história da civilização, incentivado pelos filmes de Hollywood", diz.

Mas por mais que essa forma de amar ainda seja a mais "comum" na sociedade em que vivemos, ela está em constante transformação porque é influenciada pelas mudanças de costumes. Se o mundo muda, imagina as pessoas?

Depois da revolução sexual, que ocorreu em todo o mundo ocidental de 1960 a 1970, uma nova perspectiva social de comportamento relacionada à sexualidade e aos relacionamentos interpessoais se opôs às maneiras tradicionais de se relacionar, como a monogamia, por exemplo, onde o indivíduo pode ter apenas um parceiro.

Embora, atualmente, a monogamia ainda seja a forma mais "comum" de se relacionar, ela só começou a ser experienciada de forma massiva com o surgimento da Igreja Católica, quando o casamento poliafetivo (com muitos parceiros) passou a ser proibido.

O surgimento da monogamia também está diretamente relacionado à constituição da propriedade privada. Ou seja, ao contrário do que se costuma pensar, baseada em questões econômicas e não afetivas. Isso porque a fidelidade da mulher seria capaz de garantir que as riquezas continuariam na mesma família. Assim, os bens do marido seriam repassados aos seus filhos como herança e assim sucessivamente.

No entanto, independentemente dessa imposição religiosa e patriarcal, há pessoas que não se encaixam na monogamia e encontram no poliamor a sua forma de amar. Nele, há relações amorosas e sexuais entre três ou mais pessoas e os sentimentos são considerados melhores se partilhados dessa forma. Nessa mesma vertente de "não-exclusividade", estão os relacionamentos abertos. Nestes, no entanto, há uma relação entre duas pessoas que decidem, consensualmente, explorar relações paralelas, não as vendo como traição.

Assim como há amor que não é exclusivo a uma pessoa, há amor que não se limita ao sexo ou gênero, como é o caso das pessoas bissexuais e pansexuais, que sentem atração por pessoas, independentemente do sexo, do gênero ou de como se apresentam ao mundo.

Há ainda o amor entre pessoas do mesmo sexo, como é o caso dos relacionamentos homoafetivos. Para Andrea Viana, que está com sua companheira há 23 anos, sendo casada há 7, as "novas formas de amar", não são realmente novas. "Eu cresci numa família onde tudo é ‘normal’ desde que você esteja feliz com o que você está vivendo. Sem julgamento. E com isso, acabamos sendo muito unidos. Então, eu vivo desse princípio, e acho que todo mundo deveria fazer o mesmo. Cuidar da sua vida. Amor é amor entre duas ou mais (risos) pessoas", conta.

Segundo o pesquisador da Universidade de Wyoming dos EUA, Robert Sternberg, o amor tem três dimensões principais: intimidade, paixão e compromisso.

A intimidade é composta de proximidade, conexão e vínculo; a paixão é formada por romance, atração e sexualidade e o compromisso é a decisão de continuar no relacionamento. E isso pode ser aplicado a qualquer forma de relacionamento. Inclusive, aos relacionamentos que não são denominados "namoro".

E, se estamos falando sobre amor no século XXI, não podemos esquecer dos amores virtuais que ultrapassam as telas de celulares. Seja através de redes sociais ou aplicativos de relacionamento, as pessoas também buscam amar pela internet.

Dentre tantas formas de amar, há relacionamentos que ocorrem com a mesma intensidade, mas não precisam de intimidade física, como é o caso dos Assexuais. Há casais que trocam de parceiros com outros casais, como os Swingers. Ou, até, há casais que assumem relacionamentos mas não querem viver na mesma casa, como os LAT – Living Apart Together.

Assim como os relacionamentos, as formas de amar são múltiplas. E é exatamente com base nessa multiplicidade, que neste Dia do Amor, Andrea deseja que todos tenham coragem para viver qualquer forma de amor. "O amor é coisa boa e coisa boa é o que o mundo precisa nesse momento. Seja feliz do jeito que você quiser. Liberte-se".

Que você seja livre para experimentar o amor em diferentes formas e celebrar o Dia do Amor… amando.

Maria Mariana Maria Mariana é coordenadora de Comunicação e Marketing do FREELAS e mestre em política social pela Universidade de Lisboa. É comunicóloga, publicitária e pesquisadora de Responsabilidade Social Corporativa e Desenvolvimento Sustentável.
Gabrieli Schlickmann Gabrieli Schlickmann é estagiária de Comunicação do FREELAS e graduanda em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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