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freelasconecta 01 de Junho de 2022

Ecofeminismo

Semana do meio ambiente e a união de lutas

Ecofeminismo

Você já ouviu falar sobre "Ecofeminismo"?

O Ecofeminismo é uma vertente do movimento feminista que une lutas: busca pôr fim à cultura patriarcal, assim como a valorização do meio ambiente como um bem a que todos têm direito.

Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1974 por Françoise d`Eaubonne, escritora francesa, ativista dos direitos trabalhistas, ambientalista e feminista. Quatro anos mais tarde, ela fundou, na França, o movimento Ecologia e Feminismo.

Atualmente, o Ecofeminismo já está mundialmente disseminado e se tornou causa de luta principalmente para mulheres das regiões mais pobres e opressoras do mundo.

Independentemente de se autodeclararem ecofeministas ou não, ou, ainda, do ambiente em que estão inseridas, as mulheres têm liderado campanhas e ações pela defesa e preservação do meio ambiente.

Um exemplo é a pesquisadora Vandana Shiva. Ela é física, filósofa, pacifista, feminista, e uma das pioneiras do movimento ecofeminista. Também é diretora do Research Foundation for Science, Technology and Ecology. Hoje, luta pelos direitos dos pequenos agricultores e seus poderes sobre as suas sementes agrícolas.

Mas esse não é um movimento que se restringe a uma única faixa etária. A norte-americana Mariah Smiley, com apenas 14 anos, fundou o Drops Love. Este é um projeto destinado a construir poços artesanais em comunidades mais pobres da América Latina, onde não há água potável de fácil acesso.

No Brasil, uma das maiores lideranças feminista e ambientalista é Sônia Guajajara. A líder indígena brasileira pertencente à Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, luta pela demarcação de terras na Amazônia. Mas ganhou mais reconhecimento nacional em 2018, ao ser a primeira pessoa de origem indígena a concorrer ao cargo de vice-presidente do país.

Infelizmente, as referências de mulheres latinas à frente desses movimentos não são tão conhecidas e valorizadas quanto às da Europa e dos Estados Unidos, o que estimula a nossa reflexão sobre os perigos de ser ativista ambiental na América Latina, principalmente sendo mulher.

O Brasil, por exemplo, é o 4º país com mais assassinatos de ativistas ambientais no mundo, com 20 assassinatos por ano. Já a Colômbia, que compartilha sua fronteira com o Amazonas, está duas posições acima. Ela ocupa a 2ª posição, com 65 mortes. Esses são os dados do relatório da ONG Global Witness, publicado em 2019, referente ao ano de 2018.

Por isso, é tão importante dar visibilidade e celebrar mulheres brasileiras como Sônia Guajajara, Arissana Pataxó (Bahia), Hamangaí Pataxó Hã-Hã-Hãe (Bahia), Luana Kumaruara (Pará), Yaka Edilene Sales Huni Kuin (Acre), Ara Mirim Sonia (São Paulo) e tantas outras lideranças femininas indígenas que unem a resistência ancestral de seu povo pelos direitos mínimos como território e respeito, com a luta por igualdade e visibilidade das mulheres de suas comunidades. Seja resgatando a cultura e transmitindo conhecimentos para sua comunidade como forma de resistência ao apagamento histórico sofrido ou estando à frente da luta que pede um basta a tamanha violência.

Por mais que ainda existam dificuldades nessa união de lutas, nesta Semana do Meio Ambiente, queremos compartilhar e realçar a importância dessas e de tantas outras mulheres que dedicam, todos os dias, a vida ao meio ambiente.

Maria Mariana Maria Mariana é coordenadora de Comunicação do FREELAS, mestre em política social pela Universidade de Lisboa. É comunicóloga, publicitária e pesquisadora de Responsabilidade Social Corporativa e Desenvolvimento Sustentável.
Gabrieli Schlickmann Gabrieli Schlickmann é estagiária de Comunicação do FREELAS e graduanda em Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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