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freelasconecta 19 de Agosto de 2022

Orgulho Lésbico: saiba porque celebrar essa data com mais conhecimento e menos preconceito

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Quando falamos de Orgulho Lésbico, tocamos apenas na ponta de um imenso iceberg que precisa ser desmistificado. E estamos aqui para te ajudar nisso! Leia este texto até o final e descubra porque você deve celebrar o dia do Orgulho Lésbico com mais conhecimento, amor e sem preconceitos. Bora lá?

Dia de celebração do Orgulho Lésbico

Geralmente nos orgulhamos daquilo que nos coloca à frente em alguma coisa. Já reparou? Batemos no peito e enfatizamos certas opiniões quando sentimos que somos valorizadas, reconhecidas e até mesmo lembradas por algo. Mas e quando esse orgulho que sentimos bem no cerne do nosso corpo, mente e coração, é motivo de medo para tanta gente? E motivo de preconceito e intolerância para tantos outros?

No Brasil, 2,9 milhões de pessoas de 18 anos ou mais se declaram lésbicas, gays ou bissexuais. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS): Orientação sexual autoidentificada da população adulta, publicado em maio deste ano pelo IBGE.

Esta é a primeira vez que esse dado é coletado entre a população brasileira e, na avaliação do instituto, ainda pode estar subnotificado. O instituto aponta principalmente o estigma e o preconceito por parte da sociedade como fatores que podem fazer com que as pessoas não se sintam seguras em declarar a própria orientação sexual.

A coleta de dados sobre orientação sexual é importante, pois permite a avaliação de possíveis desigualdades existentes na população nesse aspecto, além de, ainda que com limitações, dar visibilidade à população de homossexuais, bissexuais e outras orientações sexuais.

Diante deste cenário, falar sobre o Dia do Orgulho Lésbico e dar visibilidade para este assunto é algo de grande importância para todas nós. Afinal, aqui no FREELAS representatividade e inclusão importam!

Mas afinal o que é o Dia do Orgulho Lésbico?

Se você é do "vale", provavelmente deve conhecer a data do dia 19 de agosto. Mas caso não seja, tudo certo, este texto também é para você. Mas para contextualizar e deixar nossa conversa mais fluida, o dia de 19 de agosto é conhecido por celebrar o Dia do Orgulho Lésbico. Essa data foi escolhida como um marco em função das grandes manifestações populares de mulheres lésbicas no Brasil, em 1983.

O dia foi marcado na história após a ativista lésbica Rosely Roth e outras mulheres do Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF) ocuparem o Ferro’s Bar, em São Paulo, e protestarem contra os abusos e preconceitos que vivenciavam no local. Mesmo sendo um ponto de encontro onde ativistas e artistas da comunidade LGBTI faziam suas performances, os donos do bar proíbiram a circulação do boletim "ChanacomChana", primeira publicação ativista lésbica do Brasil, concebido e produzido por Míriam Martinho.

Não satisfeitas com o tratamento, na noite de 19 agosto, algumas mulheres entraram no bar e só saíram de lá após conseguirem a promessa, por parte dos donos, de que poderiam distribuir suas publicações tranquilamente. Após a manifestação, o dia entrou em nosso calendário como um memorial às mulheres que lutaram para terem seus direitos garantidos.

E não podemos falar do Dia do Orgulho Lésbico sem nos lembra do dia 29 de agosto, onde também celebramos o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Criada por ativistas brasileiras, este dia tem o objetivo de denunciar toda e qualquer violência sofrida por mulheres lésbicas na sociedade.

Orgulho Lésbico e o protagonismo (masculino) feminino

Se olharmos para a história, conseguimos enxergar uma figura masculina em cada parágrafo dos livros que nos foram apresentados na escola. Também podemos perceber suas influências em publicidades, propagandas e em certos costumes que nos foram ensinados. Até mesmo dentro da comunidade LGBTI o favoritismo se volta de novo para a figura do homem. Em uma cultura patriarcal, sexista e heteronormativa, as mulheres lésbicas seguem sendo invisibilizadas e fetichizadas, uma vez que a regra é vermos o corpo feminino sendo objetificado.

No entanto, é a partir de pequenas vitórias que construímos grandes conquistas. Recentemente o Google, na França, por exemplo, mudou seus algoritmos na região para que a palavra "lésbica" não apresentasse resultados pornográficos, mas sim conteúdos informativos e educativos, que promovam conhecimento e diálogo.

Dentro deste cenário, celebrar datas como dos dias 19 e 29 de agosto é de grande significado e importância, pois elas simbolizam a trajetória de diversas mulheres que sofrem e lutam para que hoje essa discussão tenha cada vez mais espaço. E você não precisa ser lésbica para isso. Se queremos avançar juntas, enquanto mulheres, que isso seja feito valorizando as nossas diferenças e independentemente delas.

Algumas personalidades para você se inspirar no Dia do Orgulho Lésbico

Entendendo a representatividade como um processo de reconhecimento, aceitação e até mesmo afirmação, precisamos trazer visibilidade e destaque para que mais mulheres possam brilhar e influenciar outras pessoas.

Por isso, listamos abaixo algumas mulheres lésbicas que surpreenderam o mundo, seja lutando nas ruas ou administrando seu próprio negócio.

Para as mais "old school"

Rosely Roth e Miriam Martinho
A ativista brasileira Rosely Roth é uma das pioneiras dos movimentos lésbicos no país. Estudou Filosofia e Antropologia na PUC-SP e então foi aprofundando seus estudos em questões de vivências lésbicas e sexualidade.

Em conjunto com Miriam Martinho, também ativista de pautas feministas e homossexuais, fundou o Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF), entre os anos de 1981 e 1990, em São Paulo.

Rosely participou de diversas atividades relacionadas à reivindicação dos direitos sexuais da mulher lésbica e de toda a comunidade LGBTQIAP+ durante toda a sua vida, liderando, inclusive, a primeira manifestação lésbica contra o preconceito no Brasil, no Ferro's Bar, em 1983.

Miriam também participou da manifestação no Ferro's Bar, que ficou conhecida por muitos como o "Stonewall brasileiro", em referência aos protestos realizados na época em Nova Iorque. Também foi co-fundadora da primeira organização brasileira focada em cuidados da saúde da mulher lésbica do Brasil, chamada "Um Outro Olhar".

Para as mais moderninhas

Roberta Pierry
Dona da cervejaria Sapatista, Roberta cuida dos negócios em um espaço próprio para a produção das "cervas". Um de seus grandes diferenciais são os rótulos das cervejas em que ela homenageia algumas mulheres importantes da luta feminista. Inclusive, a cerveja Maria da Penha, feita com polpa de butiá, foi premiada com a medalha de bronze no Concurso Brasileiro de Cervejas, o maior do ramo no país. E, como boa feminista que é, o design das embalagens também é feito uma profissional mulher.

Catharina Fischer
Lésbica e empreendedora, Catharina abriu a Sapadaria durante a pandemia. Cozinheira há quase dez anos e com grande experiência em restaurantes nacionais e internacionais, Catharina resolveu se aventurar na panificação, testando algumas receitas no período de isolamento social. O sucesso foi tanto que a Sapadaria surgiu e hoje está no Instagram, com mais de 5 mil seguidores.

Dica especial do FREELAS para você ficar ainda mais informada sobre o Dia do Orgulho Lésbico

1. Retrato de uma jovem em chamas - Céline Sciamma


Na trama, na França do século 18, Marianne é contratada para pintar o retrato da jovem Héloïse. A mãe de Héloïse pretende enviar a obra para um pretendente da filha e convencê-lo a casar-se com ela. Como a noiva reluta, Marianne precisa se disfarçar, e se passa por dama de companhia de dia, enquanto pinta de memória, escondida no seu quarto de hóspede, o retrato de Héloïse às noites. Com roteiro premiado em Cannes, o filme francês reconcilia o intelecto e o afeto numa era de obscurantismo #ficaadica.

2. "Mama: Um relato de maternidade homoafetiva" - Marcela Tiboni


O livro conta a história de um casal de mulheres que decidiu engravidar. Sem muitas respostas sobre como conseguir fazer isso, as duas pedem ajuda aos amigos no Facebook. Sustentando o desejo da gravidez sem pai, elas se colocam diante de muitas questões. Em um grande equilíbrio entre força e delicadeza, a autora fala sobre preconceitos e intolerâncias da nossa sociedade.

3. "A Cor Púrpura" - Alice Walker


A Cor Púrpura, livro de ficção da feminista e ativista pelos direitos civis, Alice Walker. A obra não é apenas um clássico da literatura norte-americana, como também vencedor do prêmio Pulitzer em 1983. O livro conta, através de cartas, a jornada de crescimento e auto-descobrimento de Celie no início do século XX e foi inspiração para o filme de Steven Spielberg, o romance 'A Cor Púrpura'. A obra se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.

Curtiu a leitura? Gostou de aprender mais sobre esse dia?

Então, conheça mais o Blog do FREELAS! Se liga nessas dicas de leitura:

Maria Mariana Maria Mariana é coordenadora de Comunicação e Marketing do FREELAS e mestre em política social pela Universidade de Lisboa. É comunicóloga, publicitária e pesquisadora de Responsabilidade Social Corporativa e Desenvolvimento Sustentável.
Caroline Lira Caroline Lira é estagiária de Comunicação no FREELAS e graduanda em Publicidade e Propganda no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP).

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