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freelasconecta 14 de Outubro de 2022

SER JOVEM OU EVITAR FALAR SOBRE ISSO NÃO VAI TE DISTANCIAR DO CÂNCER

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"Eu, aos 30 anos, fui diagnosticada com um câncer de mama e depois disso a minha relação com o tempo mudou para sempre. Aprendi muitas coisas, a primeira é que não existe idade para adoecer gravemente. A segunda é que ninguém está preparado para ouvir essa notícia.

Mesmo ouvindo/sentindo sinais em meu corpo e em minha mente eu ainda assim demorei a dar a devida atenção. Por isso é importante falarmos disso, para que cada vez mais a gente possa entender que todas as mulheres estão sujeitas a desenvolver essa doença.

Falar sobre o câncer de mama é dar mais chances para que todas tenham tempo de ter uma luta digna contra essa doença. Para que possamos tocar em nossos corpos com carinho e afeto e dessa forma percebermos mudanças por mais sutis que sejam, cada detalhe é importante".

Convidamos Isadora para trazer o seu relato porque, para o FREELAS Conecta, é muito importante discutir pautas relevantes a partir de quem a vive ou viveu. Falar sobre um tema tão delicado quanto o câncer era algo que não queríamos fazer de forma distanciada, como muitas vezes se faz, sem visibilizar histórias reais.

Em geral, todos nós temos muita dificuldade em lidar com temas difíceis como esse, como se evitar entrar em contato com isso nos distanciasse da possibilidade de vivenciar essa realidade. Uma prova clara disso é quando as pessoas tentam dar outros nomes à doença, como "CA", por exemplo. Acontece que é justamente falando sobre o câncer que conseguimos naturalizar essa experiência para compreender que todos nós podemos estar sujeitos a nos deparar com ela.

Esse entendimento, de que qualquer pessoa pode ser diagnosticada com uma doença como o câncer, é fundamental para que se tenha uma atitude preventiva. Porque se negamos essa possibilidade, não sentimos a necessidade de nos investigar. Contudo, é justamente a prevenção que poderá mudar os rumos dessa história, pois um diagnóstico precoce pode ser determinante para que se consiga superar um desafio como esse.

Nesse processo de evitação, muitas vezes, pessoas que são diagnosticadas com doenças graves acabam submetidas a preconceitos que afetam ainda mais seu processo de recuperação.

Precisamos falar sobre isso especialmente entre mulheres jovens. Porque acreditamos que a juventude nos afastaria naturalmente de qualquer doença. Assim, tendemos a negligenciar ainda mais nossa saúde física, sobretudo no que se refere à prevenção.

Quando falamos sobre assumir uma atitude preventiva trazemos, também, questões extremamente desafiadoras para nós, mulheres, como a importância do autocuidado, de se colocar em primeiro plano e aprender a cuidar de si como somos ensinadas a cuidar dos outros.

Por isso, neste mês tão importante e em todos os outros, o FREELAS Conecta propõe esse chamado à reflexão. Não só sobre a importância de fazermos o autoexame, mas para algo que vem antes disso, que é olharmos para o nosso próprio corpo e para a nossa vida de forma a valorizá-la como fazemos com tantas outras pessoas. Que possamos hoje – e sempre – lembrar que somos merecedoras desse cuidado e que prevenir é se examinar e não evitar falar sobre temas difíceis.

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Sophia Prado, CEO & Founder do FREELAS, doutoranda em antropologia na Universidade Federal Fluminense, onde pesquisa o empreendedorismo feminino como forma de resistência. É advogada, cineasta e uma das fundadoras do hub criativo ColetivA DELAS.

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